Qualidade superior numa vitória arrancada a ferros ...
Boavista FC 3 – FC Porto 4 em Juvenis
Jogo desenrolado nas boas instalações do Grupo Desportivo Leça Balio, numa manhã fria mas com muito sol. Excelente tempo para a prática da modalidade.
1ª parte - O FC Porto apresentou-se no seu 4x3x3 habitual, mas com umas novidades nas variantes tácticas.
Baliza: Rafa
Defesa: Paulinho, Zé Pedro, Ramon e Branco
Meio campo: Claro, Sergio Oliveira e Amorim
Avançados: Caetano, Filipe e Cardoso
Em processo ofensivo, a equipa passava para o 3x4x3, o Ramon subia para a posição 6, o Sergio fazia o lugar interior direito, o Amorim a interior esquerdo, o Caetano na posição 10, e na frente Claro na esquerda, Filipe no centro e Cardoso na direita. Neste esquema, o Caetano, o Amorim e o Claro eram quem tinha mais mobilidade. No caso das habituais deambulações do Amorim era ao Sergio que cabia a responsabilidade de fazer as respectivas compensações. O Caetano e o Claro trocavam com frequência de posição, com o Caetano a aparecer muitas vezes encostado à linha e o Claro a flectir para zonas interiores em apoio ao Filipe.
A equipa entrou praticamente a perder. Uma distracção do Paulinho permite que um homem ganhe posição nas suas costas num lançamento lateral, consegue o cruzamento com o Ramon a efectuar um corte incompleto que coloca a bola nos pés do avançado contrário que não se fez rogado e fez o primeiro golo.
A primeira parte a equipa não acusou o golpe e praticou um futebol de enorme qualidade. A excelente qualidade técnica dos seus executantes permitia saidas das zonas de pressão com enorme classe, através de triangulações a 1 ou 2 toques e trocas de bola rápidas com mudanças de flanco a equipa conseguiu um futebol vistoso de supremacia absoluta em todas as fases do jogo. O Zé Pedro fez o empate através da marcação de um castigo máximo a penalizar uma falta dentro da área sobre o Caetano. O Amorim fez o segundo golo, depois de já ter enviado uma bola à barra. No segundo golo do Boavista, o ala esquerdo ganha novamente a linha de fundo e cruza para o 2º poste, o avançado amortece para a zona frontal com o PL do Boavista a fazer o segundo golo perante a passividade de toda a defensiva dos forasteiros. O Boavista fez 3 remates à baliza na primeira parte e fez 2 golos.
O FC Porto podia ter feito mais golos através do Filipe, e após boa iniciativa individual do Caetano em que defensor faz o corte no último instante e do Claro após se ter desenvencilhado do seu marcador directo puxa a bola para o seu pior pé e remata muito ao lado.
Ao intervalo o empate a 2 era muito lisonjeiro para o Boavista tal foi a superioridade dos forasteiros. O problema é que a equipa jogou muito, desgastou-se imenso, meteu muita intensidade no jogo e em termos de resultado essa supremacia não se notava. Tanto futebol tem que dar pelos 2 golos de diferença no resultado. Na segunda metade alguns jogadores acusaram o desgaste.
2ª parte – O FC Porto entrou mal no jogo. O Boavista agora ao sabor de algum vento que se fazia sentir entrou a pressionar. O nosso meio campo começou a perder o fio de jogo e a quebrar fisicamente. A defesa nunca conseguiu acertar nas marcações e o ala esquerdo do Boavista deu água pela barba ao Paulinho. Um pouco contra a corrente do jogo, um lançamento longo isola o Caetano e este com a classe habitual faz um chapéu de belo efeito ao redes adversário e estava feito o 3-2. O Boavista não baixava os braços e continuava a criar perigo, principalmente pelo seu ala esquerdo (muito veloz) e pelo PL (muito possante fisicamente e nada mau tecnicamente), com vários cruzamento da linha de fundo com a bola a passar à frente da baliza sem que ninguém encostasse para golo. Houve 2 golos anulados ao Boavista, um por fora de jogo e outro por carga sobre o Rafa. Houve um outro lance de carga clara sobre o Rafa, que não deu golo por sorte e o arbitro nada assinalou. O Boavista chegou ao empate após um lance em que os centrais ficaram à espera do fora de jogo e o PL do Boavista mais expedito ganhou posição e facturou. Entretanto tinha entrado o Hugo para o lugar do Zé Pedro e após o empate o Dias substituiu o Ramon que apresentava problemas fisicos, passando o Sergio a formar a dupla de centrais com o Hugo. O Dias ocupou a posição 6 e passados poucos minutos e numa jogada de transição rápida fez o 4º tento através de um remate à entrada da área. Logo a seguir o Luis Paulo substituiu um esgotado Amorim tendo como objectivo segurar o resultado. O jogo passou por uma fase de bola cá bola lá com o FC Porto a desperdiçar também algumas boas oportunidades de golo, através de Claro (por 2 vezes), Filipe e Caetano. Nesta 2ª parte o Boavista foi mais pressionante e criou mais oportunidades de golo. O FC Porto acusou o desgaste da primeira parte, o meio campo quebrou claramente, a defesa nunca conseguiu controlar os atacantes do Boavista e as substituições tardaram a ser efectuadas. A vitória aceita-se porque no computo das 2 partes o FC Porto acabou por ser ligeiramente melhor, pois na 1ª parte foi de longe muito superior ao Boavista, enquanto na segunda, o Boavista embora melhor que o FC Porto nunca conseguiu ter o domínio categórico que o FC Porto teve na primeira.
Do Boavista destaco 2 jogadores. O ala esquerdo (velocidade) e o pretito que joga a PL (força com técnica), excelentes jogadores.
Positivo1) Qualidade técnica global da equipa, jogadas de fino recorte técnico, boas movimentações colectivas com personalidade e muita classe.
2) Posse de bola, domínio e controlo de jogo na primeira parte
3) Quantidade de oportunidades de golo criadas
Negativo
1) A equipa partiu-se claramente na segunda parte. Meio campo rebentou, desguarneceu a defesa e esta nunca acertou nas marcações.
2) Falta de eficácia. Tamanho domínio deve ser traduzido em resultado desnivelado.
3) Num plantel desta qualidade, e num banco como o FC Porto tem, não percebo porque se demorou tanto a refrescar a equipa quando se notou claramente que o meio campo não estava a conseguir acompanhar o ritmo imposto pelo adversário.
Análise individual
Rafa – Esteve seguro nas suas intervenções. Houve 2 ou 3 lances em que me pareceu demorar um pouco a sair dos postes. No 3º golo teve uma hesitação, entre vou eu ou vai o central. Teve uma excelente intervenção quando um boavisteiro lhe apareceu isolado pela frente. (3)
Paulinho – Em termos ofensivos esteve bem. Embora o sistema táctico de 3 defesas o impedisse de subir tanto como gosta, fez-lo pontualmente e quase sempre bem. Em termos defensivos, nunca acertou a marcação e grande parte do perigo do Boavista veio sempre do seu lado. A seu favor teve o facto de não ter tido grande apoio, quer nas dobras pelos centrais quer do Cardoso. (2)
Zé Pedro – enquanto na primeira parte decorreu de forma mais ou menos pacifica, embora no 2º golo do Boavista apeteça perguntar onde andavam os centrais, foi no 2º tempo que as coisas complicaram. Houve fases do jogo que andaram autenticamente às aranhas. O Zé tem que ser mais autoritário nas bolas altas, não me lembro de ter ganho um lance ao PL adversário. (2)
Ramon – esteve tácticamente bem e participou activamente nos processos de construção de jogo. Como o seu colega de posição teve algumas distrações importantes como no primeiro golo do Boavista. Na segunda parte não escapou incólume ao descalabro defensivo até ser substituido quando acusou o desgaste despendido na 1ª parte. (2)
Branco – foi o melhor do quarteto defensivo. Esteve bem defensivamente e sempre que subiu fez-lo quase sempre bem. Complicou um ou outro lance na segunda parte mas esteve uns furos acima dos seus colegas de sector. (3)
Sergio – na primeira parte foi dos melhores. Simplicidade de processos e posicionamento táctico foram os seu pontos fortes. Na segunda parte baixou o seu desempenho e acabou o jogo a central. (3)
Amorim – fez uma primeira parte muito boa. Jogador cerebral e que empresta muita qualidade ao jogo da equipa. Deambulou por toda a largura do terreno, e da sua inspiração depende grande parte do jogo da equipa. Era um candidato a MVP se não tivesse baixado tanto de produção na segunda parte. Devia ter sido substituído mais cedo. (3+)
Claro – jogador veloz e que cria desequilíbrios com relativa facilidade. Esteve muito perdulário, pois teve pelo menos 3 boas ocasiões para marcar. Apareceu bem quando a equipa mais precisou na segunda parte e especialmente nas transições rápidas. (3)
Caetano – tecnicamente é dos jogadores mais evoluídos que conheço. Bem a segurar a bola, bem a triangular e bem a desequilibrar. Foi dos seus pés que saíram a maioria das rupturas junto da defensiva contrária. Fez um grande golo e sofreu uma grande penalidade. (4)
Cardoso – Fez uma boa primeira parte. Meteu sempre velocidade no jogo. Foi responsável por grande parte das jogadas de transição rápida. Na segunda parte, nunca conseguiu entrar completamente no jogo e permitiu algumas vezes o 2 contra 1 junto do Paulinho. (3)
Filipe – Nas triangulações esteve bem ao tabelar com os colegas nas zonas à entrada da grande área, mas esteve demasiado intermitente no jogo. Deve participar de forma mais continuada nos momentos de construção. Desapareceu um pouco do jogo na 2ª parte. Teve 2 ocasiões para marcar. (2+)
Hugo – Entrou para o lugar do Zé Pedro e revelou as mesmas dificuldades em controlar os movimentos do adversário directo. Teve uma hesitação no 3º golo do Boavista. (2)
Dias – entrou bem no jogo, impondo a sua capacidade fisica nos lances divididos. Fez o golo da vitória numa transição rápida com um remate à entrada da área. (3)
Luis Paulo – no pouco tempo que esteve em campo ajudou a segurar o resultado. (-)
MVP: Caetano
afs